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“E eu nunca fui bom em
guardar os nomes dos seus ex-namorados. Confesso que nunca tive vontade também,
pois eles não duram muito tempo. A culpa não é sua, e sim deles. Afinal, não é
fácil encontrar um homem digno da mulher maravilhosa que existe em você. A cada
fim de relacionamento, é na minha porta que você bate, é no meu abraço que você
se aconchega e é no meu ombro que você chora. E que sussurra baixinho, com toda a tristeza de seu coração: “Ele
também desistiu de mim.”. Eu te abraço forte e falo com firmeza na voz: “Já é
difÃcil para um homem dar conta de uma mulher, imagina de uma mulherona? Você é
sexy e sensual demais para ele.”. E você sorri fácil com o meu jeito bobo de
fazer piada das coisas sérias. Mas por dentro eu esperneio: “Não é piada! É a verdade.
É você.”. Mas eu sempre consigo te acalmar e te reerguer. E você sempre supera
porque é forte. Porque é linda, incrÃvel, confiante e… Minha. Ainda que não
saiba. Ou sabe, mas finge que não. E que me cuida, assim como cuido de você. E
que vez ou outra, me liga dizendo que arrumou um encontro com uma garota ótima
para mim, mas que nunca é tão ótima assim. Apesar de tudo, eu sempre vou nesses
encontros, sabendo que não vai dar em nada além de alguns beijos e uma, ou
duas, noites de prazer. Vou voltar dizendo que “Foi melhor assim.”. E você vai
dizer: “Ela era sexy e sensual demais para você.”. Eu vou sorrir com a sua
ironia, e te beliscar no braço. E a gente vai rir junto e depois assistir algum
filme. É claro que eu vou querer os de ação e você os românticos. E no fundo,
ambos sabemos que nós dois somos uma comédia romântica. Mas é mais fácil fingir
que não existe nada além de dois amigos que se entendem, que se adoram e que
não se desgrudam. E que se amam e se pertencem, antes de tudo. Eu nunca guardei
os nomes dos seus ex-namorados, mas nunca me esqueci do seu aniversário. De te
levar uma caixa de bombom e alguns filmes de terror no dia dos namorados em que
ambos estávamos solteiros, ou, mesmo, do dia em que nos conhecemos em meio ao
inverno do mês de junho, que de tanto frio, com três blusas ainda podia
facilmente me sentir nu. E para ajudar, chovia forte. Foi quando te vi com uma
blusa por cima da cabeça e andando rápido. E confesso, foi engraçado te ver tão
desesperada daquela maneira e com o cabelo bagunçado pelo vento e, ainda assim,
isso não foi capaz de ofuscar sua beleza. E mesmo eu fazendo o favor de ir lá
segurar o guarda-chuva para amenizar o seu desespero, você ainda teve a coragem
de dizer: “Segure o guarda-chuva direito senhor cavalheiro”. Foi a primeira de
muitas risadas. E foi me colando em você sem querer que nós não se descolamos
mais. E eu sempre te confessei que sou desligado e esquecido das coisas, mas
nunca consegui me esquecer de você. Nunca consegui me desligar de você. E acima
de tudo, não consegui evitar não me apaixonar por você. E mesmo sentindo ciúmes
e vontade de matar qualquer um que te machuque. Eu sempre te deixei livre.
Porque você volta. E volta porque precisa de mim. E volta porque sabe que eu te
protejo. E volta porque sabe que eu te deixo ficar. E você sempre fica… Porque
a ideia de estar longe de mim te assombra. Porque mesmo eu não lembrando de
nomes, não lembrando de todas as mulheres que dormiram na minha cama e não
lembrando de segurar o guarda-chuva direito. Eu nunca me esqueci de você. Nunca
me esqueci de estar do seu lado quando você precisava. E nunca me esqueci de te
dar o meu amor. E ainda que a gente se engane em outros braços, carinhos e
amores. No fundo, nós se pertencemos. Os vizinhos, amigos e todo o resto já
sabem disso. Só está faltando nos avisarem, em alto e bom som: Vocês-se-amam.”— Allax Garcia.








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